O suicida - Affonso Romano de Sant'Anna
O suicídio
não é algo pessoal.
Todo suicida
nos leva
ao nosso funeral.
O suicida
não é só cruel consigo.
É cruel, como cruel
só sabe ser
-o melhor amigo.
O suicida
é aquele que pensa
matar seu corpo a sós.
Mas o seu eu se enforca
num cordão de muitos nós.
O suicida
não se mata em nossas costas.
Mata-se em nossa frente,
usando seu próprio corpo
dentro de nossa mente.
O suicida
não é o operário.
É o próprio industrial, em greve.
É o patrão
que vai aonde
o operário não se atreve.
Todo homem é mortal.
Mas alguns, mais que outros,
fazem da morte
-um ritual.
O suicida, por exemplo,
é um vivo acidental.
É o general
que se equivocou de inimigo
e cravou sua espada
na raiz do próprio umbigo.
Mais que o espectador
que saiu do entreatro
o suicida
é o ator
que questionou o teatro.
O suicida
é um retratista
que às clara se revela.
Ao expor seu negativo,
queima o retrato
-e se vela.
O suicida, enfim,
é um poeta perverso
e original
que interrompeu seu poema
antes do ponto final.
Àquela que representou a única porta para mulheres em desespero e se tornou a bruxa do século XXI . Enforcou-se em um cordão com muitos nós, provocando reflexão a quem ousa ver as coisas sob outro ângulo.
Escrito por La Perdue às
06h19
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As pessoas perdem umas às outras.
Parece inevitável.
Pode acontecer por causa de uma discussão, de mal entendidos, ou simplesmente pelo fator tempo e espaço. A correria do dia-a-dia, a distância física entre os amigos...
O apego excessivo às pessoas não costuma terminar muito bem.
Aprendi isso na marra esse ano...
Vou tentar usar a técnica “não me importo, me importando” pra tentar lidar com essa mania de achar que sempre terei as pessoas que gosto perto de mim.
Escrito por La Perdue às
10h19
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Sinceramente não acho que a universidade deva ser “gasta” com assuntos técnicos.
Vejo a universidade com uma visão mais “de raiz”, como ela foi proposta, aliás.
Universidade serve para produção de novos conhecimentos (e não habilidades!) seja em que área for! Biológicas, exatas ou humanas.
Ou seja: pra mim a universidade é um local de produção científica!
Não entendo como brotam tantos cursos com nomes diversos quando são, na verdade, um resumão aplicado à prática de áreas do conhecimento tradicionais.
Vejo o curso de Administração. Pra mim é um resumo ultra cuspido e superficial de psicologia, sociologia e economia.
Fui procurar material de sociologia aplicada à administração pra dar aulas e o material acadêmico MESMO eram apostilas! oO’
Aliás, via de regra não há nem interesse geral dos alunos pra se aprofundar um pouco mais.
Querem que a gente dê fórmulas mágicas pra lidar com a realidade e os próprios livros e profissionais famosos da área estimulam isso!
Não que eu seja favorável à erudição prolixa, mas eu quero conteúdo, poxa!
Não suportei ver uma professora de administração de uma universidade brasileira renomada indicar “O Monge e o Executivo”!
Aliás, não sei o que há nessa área! Tá na moda agora falar de liderança compartilhada, horizontalidade quando os próprios ensinamentos dizem que toda essa maquinação é pura fachada pra estimular a sensação de pertencimento do funcionário e conseqüentemente sua motivação pra gerar lucro pro dono da empresa.
O discurso democrático virou mercadoria e foi comprado!
Acho isso nojento e perigoso, porque maquia bem como as coisas realmente funcionam e causa paralisia nos que estão na posição desfavorável disso tudo.
Podem me chamar de cabeça-dura ou preconceituosa, mas quanto mais estudo administração mais eu amo sociologia!
* PS – Eu deveria ter investido em design gráfico! Muito mais digno.
* PS 2 - Já que derrubaram a obrigatoriedade do diploma de jornalista deveriam derrubar também a de administrador! Falei!
Escrito por La Perdue às
23h24
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É muito angustiante a sensação de ouvido entupido.
A vida parece que fica suspensa, porque de qualquer maneira os ruídos servem como metrônomo da vida.
Enumerando os ruídos que mais gosto percebo a ligação entre som e movimento. Veja só:
1. som de dedos no teclado
2. papel sendo amassado
3. gaveta revirada
4. “estralo” que minha pálpebra dá de vez quando
5. livros sendo empilhados
6. vento soprando nas árvores
7. barulho ensurdecedor do mar
8. chave abrindo portas
9. motor do carro ligando
10. passos em lugares vazios
11. de líquido preenchendo um recipiente
12. lápis grosso riscando o papel
Perceba que na própria descrição do som cabe o gerúndio. E está aí o som e movimento juntos. Óbvil, não?
Pois é! E o mais engraçado que essa associação ficou tão presente em mim que depois que comecei a dançar não consigo mais ouvir uma música sem imaginar movimentos.
Ao mesmo tempo depois que parei de dançar é como se sentisse meu corpo inteiro entupido, pois há o som, mas não há o movimento... e a vida acaba tomando aquela forma “suspensa” como acontece quando há falta de som...
Estranho... mas real...
Escrito por La Perdue às
01h43
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Utopia do cotidiano
Às vezes precisamos nos lembrar quem gostaríamos de ser. Não em termos profissionais, estéticos, amorosos e fatores que a sociedade joga na nossa cara como sendo primordial.
Às vezes precisamos nos lembrar de como gostaríamos de ser moralmente. Como realmente gostaríamos de encarar a vida. Lembrar, encarar e por em prática.
Apesar de eu ser considerada uma jovem adulta, é de hábito meus discursos sobre a vida que “poderia ter sido e não foi”, como se já tivessem decretado a mim um ponto final.
Em certas horas, quando estou mergulhada nesse meu pensamento, uma mão estendida surge dentre o emaranhado de pessoas que existem dentro de mim e tenta me fazer perceber que ainda é tempo.
Mas meu pensamento é viciado. Sempre pára naquela equação sem solução, então o caminho pra alcançar quem eu quero ser fica mais difícil.
Escrevo então pra tentar me lembrar.
Escreverei palavras de otimismo pra mim mesma, porque elas são raras de serem ouvidas e ditas sem que pareçam fórmulas para se livrar logo da pessoa que reclama.
Esse é meu esforço. Um auto-convencimento de que apesar de não estar onde sempre quis, posso ser um pouco do jeito desejado.
Nesse processo muitas coisas servirão de inspiração: clichês antigos, frases que soam como clichê, porém inventados, músicas, imagens... tudo aquilo que tem o poder de me tocar.
Escrevi há muitos meses e não coloquei em prática ainda...
Mas a necessidade desse “exercício” continua...
Escrito por La Perdue às
22h42
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Lista para me lembrar do que porquê não ter dor-de-cotovelo.
Lista para me lembrar do que porquê não ter dor-de-cotovelo.
1. O barulho que ele fazia quando mastigava.
Não sei se era problema de respiração, mas quando ele comia fazia um barulho meio ogro. Quando bebia então, sorvendo o líquido barulhentamente no copo era de dar gastura.
2. Beijos sem encaixe
Detalhe que quando nos conhecemos nosso beijo se encaixava muito bem. Era mágico. Mas depois que ele andou pegando umas por aí ele começou a beijar de um jeito que definitivamente não combinava mais.
3. Cama negativa
Sem maiores detalhes, apenas que a propaganda foi desproporcional à realidade.
4. Mania de jogar areia nos meus planos
Comentar planos profissionais era certeza de banho de água fria. Algumas vezes não precisava nem de plano, mas só comentar as coisas que me fascinavam no que eu estudava já dava margem pra discussão de como o que eu queria não valia a pena. SEMPRE torceu contra qualquer realização profissional que eu poderia ter.
5. Cagava e andava pros meus sentimentos
Ele com sua “sensibilidade à flor da pele”, algo, segundo ele, louvável em um homem, era muito correto. Em mim qualquer período mais afetada era motivo de ser considerada mimada, fresca e adjetivos do tipo. Às vezes eu tinha impressão que quem tinha TPM era ELE e não eu oO’
5.1 Monólogos intermináveis como demonstração de sua destreza intelectual. *bocejos*
6. Autoritário
Fez um escândalo pra eu pedir desculpas a ele porque o “contrariei”. Não precisa dizer mais nada, não é?
7. Direito de entrar e sair da minha vida na hora que bem entender
Desde que o conheci os períodos mais críticos meus passei sozinha. Afinal, quando eu começava a ficar mal ele se afastava. Quando ELE ficava mal vinha retomar contato.
8. Queimava a categoria “amigos”
Ele sabia da importância que eu dava à amizade. E o que ele dizia? Que amigos eram pessoas interesseiras que vão passar pela minha vida e nem vão se lembrar de mim, logo não valia a pena cultivá-los. Hoje ele ta cheio de amiguinhos por aí.
Resumindo: não tínhamos nada a ver um com outro.
Não deveria ter motivo pra ficar remoendo. O problema é que foram vários anos que gastei com isso e me arrependo amargamente. Ele teve uma grande contribuição pra diminuir minha auto-estima, me deixar mais insegura e tirar a espontaneidade em público que eu tinha quando nos conhecemos.
O que devo fazer então: não gastar mais nenhum minuto com isso, pois já joguei muitos fora! E afinal, ficar e aceitá-lo “de volta” sempre foi uma decisão minha. Irracional, claro, mas foi. Tenho que admitir isso e principalmente me perdoar por ter feito isso comigo mesma.
Ta sendo fácil? Definitivamente não. Ainda mais pra alguém rancorosa como eu.
Mas preciso me lembrar de duas coisas sempre: 1. não perdi nada
2. preciso aprender a me perdoar
Será que tem um mantra pra isso?
Escrito por La Perdue às
10h19
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Eureka
O que tenho entendido por enquanto é que passei grande parte da vida tentando me manter longe dela.
Seja com meu fascínio com as artes cênicas, que também incluo a dança, como também com o “distanciamento científico” da Sociologia me mostram que na verdade quero ver a vida de longe, sem participar efetivamente. O tipo de relacionamento que elegi ter por quase 10 anos também. Um relacionamento sem uma relação propriamente dita.
A grande “Eureka” se deu na leitura de um material sobre Gestão de Pessoas e vendo um programa sobre administração de empresas (!!).
De livros acadêmicos da área de administração a apostilas de EAD sobre o assunto, todos falam de seres humanos e ambientes sociais de uma maneira muito simplificada e superficial! Técnicas de motivação, classificações esdrúxulas de mecanismos de defesa “tecnológicos”... E que (o pior): alcançam resultados! oO’
Quer dizer: então a vida é isso? É disso que eu passei minha vida inteira fugindo? É!
Da vontade de continuar fugindo? Muito mais!
Mas ao mesmo tempo preciso de resultados, coisas concretas, sentir que esse tempo todo levantando da cama todos os dias valeu algo!
Vou tentar não fugir mais, embora termos marxistas como alienação do trabalho e fetiche da mercadoria me criam barreiras pra pensar como “gestora”.
Mas aqui vai a tentativa!
Escrito por La Perdue às
15h41
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O que fazer?
O que fazer quando tudo que moldava sua identidade é arrancado de você ou perde o sentido?
Escrito por La Perdue às
16h23
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Confesso que não sou generosa como por vezes aparento.
A generosidade, na verdade, foi durante grande parte da minha vida uma moeda de troca porque sempre me senti um empecilho na vida das pessoas mais próximas.
Hoje em dia esse sentimento foi substituído pela sensação de ser desnecessária, nula, e completamente substituível. E a minha “generosidade” se tornou um enorme outdoor pra gritar aos mais distraídos que eu faço pra alguém aquilo que gostaria que fizessem a mim. O problema é que essa tática também não ta sendo lá muito boa...
Um dia desses uma pessoa que prezo, mas que não demonstra reciprocidade há um tempo, agradeceu muito um ato que fiz pra ela e disse que torce para que eu nunca deixe de espalhar “felicidade” a outras pessoas, como eu tinha acabado de fazer...
Há pouco tempo atrás (questão de meses) isso me deixaria muitíssimo feliz porque esse foi meu objetivo inicial: fazer com que a pessoa se sentisse especial.
O que tem pegado agora é que eu estou em uma fase em que eu PRECISO sentir reciprocidade nas relações!
PRECISO porque não quero ser querida apenas pelo o que faço às pessoas, mas por eu ser como sou. Simples! (Simples?)
Não sei se é fase de carência, ou saco cheio que veio com a idade e experiências frustradas, mas não to afim de devotar meu tempo com pessoas que não pensam nem por uma fração de segundo que eu tb preciso me sentir especial pra elas!
Prontofalei!
Escrito por La Perdue às
03h33
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La perdue chez Non-Lieu
Sentada à mesa de uma reunião para um projeto que pode dar certo - mas sem saber se efetivamente dará – me vejo rodeada de pessoas que conheço a longo prazo mas que a cada minuto me mostra que temos pouquíssimo em comum.
Pra um projeto como esse pode ser arriscado esse tipo de associação...
Mas se eu me perguntar onde é que o sentimento de pertencimento aparece hoje em dia não saberei dizer.
Talvez, no máximo, na minha casa, onde, vez ou outra, conto minhas angústias de uma forma superficial e resumida. O problema é que o mundo é bem maior do que isso e pondo os pés pra fora de casa não encontro lugar em que eu me sinta à vontade.
Há momentos sim. Quando estou com sapatilhas nos pés e músicas no ouvido e na alma, mas é só desligar o som que me deparo com pessoas que vivem em bolhas diferentes da minha.
Nessa cidade, tirando o pessoal de casa – em alguns assuntos, posso dizer que há uma só pessoa que eu poderia conversar e sentir um vínculo, uma identificação... De resto, tenho a impressão de que todos falamos sozinhos de frente pra um muro que reflete nossa própria voz.
Eu sei que esse tema ta ficando repetitivo e redundante nesse blog, mas o que se há de fazer se esse sentimento persiste?
Escrito por La Perdue às
15h55
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Resmungando sobre a professora do post abaixo percebo que a vontade de voltar a dar aulas aparece!
É que eu vejo tantos professores que relutam em passar seu conhecimento e se sentem ofendidos quando vêem potencial de superação do aluno que sinto eu sou mais professora do que eles...
Lembro que nada me fazia mais feliz em sala de aula do que ver meus alunos incorporando a discussão que a sociologia propõe! Era fantástico! Eu saía da sala quase flutuando de alegria! E é esse lado que me faz pensar que tenho uma veia pra professora.
Mas ao mesmo tempo não tenho a menor empatia pela geração dos meus alunos porque eu simplesmente não os entendo!
Aliás, não entendo nem a minha própria!
É que parece que estamos bem na linha divisória de paradigmas e tudo nos parece muito confuso!
Como, por exemplo, o discurso que diz que estudar é fundamental pra “crescer” na vida. Como ver isso na prática? Eu sinceramente não vejo mais... O “crescer” em termos financeiros só por estudo, convenhamos, não é tão óbvio assim, não! A meritocracia pura e simples no Brasil é uma farsa! E “crescer” em termos de maturidade... bem... pode até ser, porque se vc estudar certas coisas corre o risco de ficar tão diferente e crítico que vai acabar levando muitas porradas na vida... e porrada, de uma maneira ou de outra, nos obriga a crescer.
Só que obviamente essa situação não é lá muito atraente...
Eu não tenho cara e convicção pra chegar em uma sala de aula e falar da sociologia com a paixão que eu tinha antes. Seria mais sincero eu chegar na sala de aula e dizer: “Gente, to completamente confusa, não to entendo nada do presente, nada da nossa geração, nada da gente... Eu acho que um olhar pretensamente científico (ou o esforço de ser o menos senso comum possível) sobre a sociedade pode me ajudar, só que fazer isso sozinha é muito difícil e doloroso. Vocês me ajudam?”
O problema é que minha credibilidade em tempos de respostas rápidas e prontas retiradas do google pode ir pro espaço!
Eu quero muito entender e viver, mas esse labirinto confunde a vontade!
Escrito por La Perdue às
21h38
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Filantropia com nosso próprio chapéu
Não é de agora que a postura de alguns professores doutores de universidades públicas me incomodam.
A vaidade acadêmica é insuportável!
Parece que alguns professores querem se colocar em um status sobrenatural. Querem aglutinar seguidores e não orientandos. Em troca disso não divulgam informações (princípio básico de atos administrativos em administrações públicas) para direcionar aos seus pupilos como se fosse uma recompensa/dádiva por tanta puxação de saco.
A última que fui testemunha foi de uma professora falando de um projeto de extensão como se fosse um projeto filantrópico financiado por ela. Peraí... projeto de extensão é da universidade! E se é da universidade pública é pago com o MEU dinheiro. Meu e de todos que pagam impostos! Não tem nenhuma alma caridosa por trás disso!
Aí, claro, todos se acham a nata da intelectualidade brasileira e com moral suficiente pra falar mal dos políticos, da lógica do mercado, dar lições (teóricas) de ética.
Há ninhos de hipócritas nas universidades!
Antros de mediocridade daqueles que em vez de se verem como formadores de opinião pública se comportam como funcionários públicos acomodados.
E eu me preparando pra entrar na área acadêmica, mas todo meu entusiasmo idealista já foi pras cucuias!
Se entrar nesse meio pretendo fazer diferente... se não for engolida antes.
Escrito por La Perdue às
17h41
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Cuidados
Tenho que escrever um e-mail pra um amigo.
Mas não sei o que dizer. Contar as novas? Resmungar?
Será que ele realmente se importa? Será que alguém realmente se importa?
Em meio toda essa solidão eu sinto que cobro demais das poucas pessoas do meu convívio.
Vez ou outra sinto uma raiva silenciosa de pessoas próximas porque elas não são tão próximas quanto eu queria.
Certa vez uma pessoa que eu acreditava ser minha amiga me acusou de aprofundar demais na intimidade dos outros. Traduzindo: eu sufoco as pessoas.Pensei ser bem possível, então a partir daí tentei manter um certo espaço, só que minha ânsia por contato e meu medo de ser muito intrometida acaba me fazendo egocêntrica.
Acabo falando mais de mim ao mesmo tempo em que tento estimular uma conversa...
Só que é muito chato quando parece que só vc se esforça pra manter uma ligação com alguém.
E são tantas mágoas... tantas que qualquer pessoa se surpreenderia se conhecesse todas elas.
Especificamente sobre o referido amigo: passei 4 meses em uma cidade que eu não tinha um conhecido sequer e ele sabendo disso só foi entrar em contato 2 semanas antes de eu voltar...
Coisa pequena pra qualquer um, não?
Mas pelo que bem me conheço, se fosse um amigo meu em uma situação parecida eu tentaria manter contato sempre e se demorasse pra responder eu já acharia que aconteceu alguma coisa ruim e estaria quase acionando os bombeiros pra irem até lá.
Ok, alguns podem nomear paranóia, outros chamam isso de cuidado.
Eu acredito que todos precisam de cuidado. Todos que eu amo precisam saber que mesmo a km’s de distância eu estou pensando em cada um de maneira carinhosa e que definitivamente eles não estão sozinhos.
Mas é tão difícil sentir a mesma coisa das outras pessoas. São tão poucas demonstrações...
Será que sou eu exigente e estou cega pra outras manifestações que não tenho familiaridade?
Pode ser, mas juro que caço em qualquer vírgula ou olhar a mão fictícia em meu ombro.
Às vezes tenho vontade de abrir o jogo logo e dizer o que sinto, mas a probabilidade de parecer uma psicopata é bem alta.
De qualquer maneira acabo parando nesse blog mesmo...
Escrito por La Perdue às
23h06
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Fábula
Era uma vez uma menina estranha que conheceu um cara esquisito.
Por um momento ambos acharam que encontraram no outro o seu refúgio.
Só que o cara queria que a menina fosse mais esquisita e menina que o cara fosse um pouco mais estranho.
Como a mudança não se deu, o esquisito resolveu brincar de ser normal e escolheu uma mulher padrão pra casar na igreja.
A menina continua no seu labirinto. E sem refúgio. Como sempre.
Fim.
Escrito por La Perdue às
01h26
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De volta ao lar
Achei que seria algo frustrante, mas não foi, porque faz falta ter quem te espera.
A minha fase em outra cidade esse ano claramente já tinha terminado.
Voltei na hora certa.
Sempre tive expectativa de morar sozinha e ser independente.
Mas o grande “detalhe” é que a independência no nosso mundo está relacionado com estabilidade financeira, e isso nunca tive. E a crise vocacional aumentou.
Academicamente falando, eu amo a sociologia, mas investir em uma profissão invisível agora que estou beirando os 30 é complicado.
É muito bonito dizer que o que importa é fazer o que se gosta, mas quando não se escolhe uma profissão padrão, que todos pensam ser indispensável, não dá nem ter o prazer de dizer que ter salário baixo ainda compensa, porque no final das contas nem salário consigo.
Sei que apesar de conhecer muita gente bem sucedida sei que isso não acontece só comigo.
E eu simplesmente odeio ter nascido na geração canguru!
Ano passado, assistindo um documentário sobre maio de 68 vi um historiador comentar que a juventude da época não tinha a paranóica preocupação com o futuro. Pensei ser essa a chave, mas vendo minha mãe deixando de aproveitar os frutos de anos de trabalho pra me sustentar fica impossível não me preocupar.
E a classe média tá cada vez mais baixa. O supermercado tá cada vez mais caro e eu não tenho mais sonhos e nem paz...
- O post ficou completamente desvirtuado então paro por aqui porque simplesmente não tenho respostas e nem uma conclusão que me contemple. -
Escrito por La Perdue às
23h56
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. Literatura informal
. Dos Passos da Bailarina
. Summer Shaked Won
. meetings along the edge
. And so I walk
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