Desafios para incorporar a noção de impermanência

Então você começa algo tendo consciência de que ele tem fim. Porque tudo tem.

Porque a gente não se conforma com a impermanência, mesmo ela sendo algo certo.

Semana passada me fiz dois desafios para aprender a lidar com isso: me aproximar do zen budismo e começar algo (um relacionamento?) que tem como premissa o término.


Não sei se vou conseguir lidar com isso, mas preciso aprender. Não sei se a segunda opção foi uma forma inteligente de tentar. De qualquer forma, preciso me policiar.


O problema é que quando temos essa consciência e andamos de braços dados com ela, todas as boas sensações e situações já chegam com uma carga de saudade. Isso porque não houve uma aceitação verdadeira de que tudo é finito.

Todo esse processo é muito difícil, mas registro aqui a minha disposição para tentar.

Escrito por La Perdue às 23h25
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Feeling good

Porque chega uma hora em que a gente pára de reclamar.

Pára e percebe que as coisas estão fluindo através dos meios que algum dia escolhi.

A gente pára de contabilizar os "tesouros" perdidos e só tem vontade de sempre agradecer - naquele estilo bêbado carente - as pessoas que você teve a sorte de conhecer e que permaneceram ao seu lado.

"Nadie nos prometió un jardín de rosas". Ao menos tempo, as coisas não estão dramaticamente ruins como pinto.

A vida é feita de concessões, portanto não dá pra ficar com a cara amarrada sempre ou em eterno regozijo...

De qualquer forma, hoje me sinto bem.

Estou aprendendo. Estou em um caminho. E a noção de estar em um processo - e não em seu resultado - já é suficiente.

 


Escrito por La Perdue às 00h07
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Daqui pro futuro

Diversas vezes me pego pensando que essa cidade não é para mim. Não é, na verdade, uma constatação difícil de ser feita. 

O problema é perceber que nenhuma outra, especificamente, pode ser eleita como “a minha cidade”, pois é sempre o mesmo desajuste. 

A diferença se dá em relação à quantidade de esperança em relação ao futuro que vivencio a partir do que escolhi fazer lá.

Agora - que me falta o futuro – quase nada se justifica.

É sempre um dia atrás do outro – salvo algumas exceções que não tem exatamente relação com o que a cidade me trouxe.

E fica a pergunta: a partir de agora, será sempre assim?

Se for... Já não sei mais.

Escrito por La Perdue às 00h51
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Balanço anual

 

2011 foi o ano que menos escrevi no blog por ser o mais confuso ou o ano foi confuso porque não organizei meus pensamentos no blog?

Isso não dá mais pra saber porque 2011 praticamente acabou, mas se fosse pra definir o ano em uma palavra ela seria “inesperado”.

Não sei dizer se foi um ano bom ou ruim.

Vejo saldos positivos ao mesmo tempo em que dentro deles reconheço ônus.

Sinto que perdi muitas coisas importantes: vivências acadêmicas e pessoais que só teria no mestrado, confiança em pessoas que eu antigamente colocaria minha mão no fogo por elas, convívio com personalidades que me trazem ensinamentos e leveza encontrados em raros lugares, deturpação daquilo que considero como “senso de justiça”, entre outras mais secundárias.

Pode não parecer muito (quantitativamente) ao fazer a lista, mas tem um peso considerável pra mim... Ainda mais nesse contexto em que estou.

Sinto que de alguma forma me perdi. Muitas vezes as roupas, hábitos e “máscaras” que utilizo nessa “nova vida” são tão díspares que me trazem a sensação de não saber mais quem eu sou.

Isso tudo se desfaz quando encontro com pessoas que me fazem recordar como era antes: amigos (extremamente e cada vez mais raros e mais fundamentais), lugares, familiares... Só que esses encontros são rápidos e logo logo me encontro na terra do “quem sou eu, afinal?”.

Claro, houve aspectos positivos: a oportunidade de conhecer um universo envolto em diversas espécies de véus, conhecer regiões que nunca imaginei ir, sentir claramente – contrariando o que eu esperava – a minha família muito mais disposta a viver do que há um ano (o que me traz um contentamento imensurável), saber que ainda haverá, mesmo com as decepções relatadas anteriormente, amigos (raros, enfatizo novamente) pra me darem abrigo (literalmente e/ou figurativamente), independência financeira...

Pode parecer excesso de expectativas (ou frescura mesmo) ainda sobrar esse descontentamento, mas como diria Fernando Sabino: “O diabo dessa vida é que entre cem caminhos, temos de escolher apenas um e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove”.

(Isso porque nessa conta não foi contabilizado o que não escolhemos acontecer, como a decepção com outra pessoa...)

De qualquer forma, que venha 2012!

 

Escrito por La Perdue às 03h08
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Vai passar?

 

Por mais dinâmicas e surpresas que a vida nos reserva, há horas em que percebemos uma mudança de ciclo com determinadas características que começam a se sedimentar.

E eu não sei se essa minha fase é de adaptação ou sedimentação.

Mas parece que fica cada vez mais evidente que estou vivendo cada vez mais pra mim.

Isso é muito difícil.

Até com minhas amizades eu só me sentia com valor se pudesse fazer algo, criar um laço em que eu fosse necessária, nem que fosse para ser o “ombro” da história.

Em casa, era com a mediação de conflitos.

E agora nem no trabalho eu consigo achar uma utilidade pra mim!

Me sinto vazia, sozinha e sem propósito.

Será hora de me reinventar? E se eu me transformar em algo que vai contra meus princípios hoje?

Ou é só uma fase?

Se for, por que demora tanto pra passar?

 

 

Escrito por La Perdue às 21h50
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Eu, etiqueta

 

E eu pensei que depois de sair de um colégio de classe média esse tema não me incomodaria mais.

Mas voltou e incomoda.

Na verdade, nunca deixou de existir... Eu que passei a ignorar.

Mas ser julgada pelo quanto eu gasto com coisas inúteis voltou a ter peso.

Nunca fui uma pessoa consumista. Na época das “vacas gordas” a minha família já gastava compulsivamente o suficiente, fazendo com que eu me retraísse pra isso.

De uns dez anos pra cá (sim, as vacas gordas foram embora há muito tempo), em que as contas ficaram mais apertadas, a contenção de gastos passou a se incorporar à nossa rotina.

Minha cabeça simplesmente se voltou pra outras coisas .

Tanto é verdade que agora me assustei.

É muito estranho ver  como a capacidade de consumo vira parâmetro sobre quem você é ou quanto você vale. Não é só estranho, como triste.

E nem sei como escrever sobre isso porque é tudo tão clichê: “o que importa é o que somos e bláblá, porque é o que fica e bláblá”... 

À parte disso, acho burrice me apertar pra ter um celular de última geração ou pagar um preço que considero absurdo por um produto só pela marca que ele tem – e que muitas vezes nem corresponde à qualidade... 

Confesso que ainda sinto remorso quando compro algo legal pra mim que minha irmã ou minha mãe não têm. Não é uma sensação boa, mas tento compensar de outro jeito e automaticamente sobra menos pra mim e isso não me incomoda!

Sinceramente, acho que algumas pessoas confundem o limite de conforto com o da ostentação pura e simples... e vivencia isso de forma tão orgânica que se sente ofendido quando é obrigado a conviver com um mundo em que falar de marcas ou de aparelhos de última geração não é prerrogativa! É como se houvesse a negação de outras realidades possíveis! Como se o verdadeiro "gabarito" da vida real fosse aquele!

Isso me cansa e vendo o volume de pessoas que pensam dessa forma ao meu redor faz eu me sentir errada.

Eu não quero me tornar uma pessoa que faz compras para me sentir bem. Não quero fazer do shopping o meu templo. E também não quero ser desqualificada por causa disso. 


E pensar que há pouco meses as coisas eram mais fáceis... 

 

Abaixo o sábio Drummond pela voz de Paulo Autran.


Escrito por La Perdue às 00h32
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Mudanças

Mexendo nas pastas do meu computador vejo um arquivo com o nome do blog. Havia nele o início de um desabafo que eu publicaria aqui, mas que não terminei por causa de obrigações de outra ordem. Ele foi escrito dia 27/02. Achei curioso e interessante ter registrado algo que faz certo sentido vendo hoje.

Aqui vai:


Não sei o que está havendo, mas há cerca de dois meses uma sensação pesada vem me acompanhando.

É como se eu estivesse na iminência de perder algo. Como esses fossem os últimos minutos de uma despedida. Despedida de algo importante. Eu não sei se é despedida de uma fase da minha vida, de alguma pessoa querida ou de mim mesma.

Esse não-saber vem me angustiando bastante. De qualquer forma, isso me põe pra refletir sobre a vida. E a parte profissional/acadêmica vem junto.

Desde os 13 anos, quando me tornei fã da Legião Urbana, sempre quando sentia algum nó eu colocava algum cd pra ouvir ou então – o que se tornou meu favorito após 99 – um VHS com entrevistas do Renato Russo para a MTV. Eu gostava de ouvi-lo falando e eu ouvia atentamente como se ele fosse me dar alguma resposta.

Muitas vezes ele me dava. Ou eu preferia acreditar que sim.

Esses dias resolvi fuçar no material divulgado pela MTV no dvd “Entrevistas” com o Renato Russo e lá estava uma das entrevistas que tanto assisti.

Confesso que foi me dando certa invejinha  - que na verdade é mais uma admiração do tipo “poxa, queria ser como ele” - pois queria poder conseguir ver de forma mais concreta o fruto de algum trabalho meu. Tenho 27 anos e nada pronto. Tenho apenas um sentimento de urgência.

...

 


 

E aí venho hoje dizer que a sensação de despedida de uma fase se encaixa perfeitamente.

Não creio que tenha sido uma “premonição”. Na verdade penso que era mais um reflexo dos últimos dias de 2010 que trouxe a certeza de que pequenas e irrefletidas ações podem gerar situações que deixam cicatrizes – muitas vezes profundas e irreversíveis.

Isso mais a fase de produção de artigos acadêmicos direcionou a reflexão para a parte profissional...

De qualquer forma quero chegar ao presente, e dizer que estou às vésperas de mudar de cidade de forma repentina. Não é de forma definitiva (e o que é?), mas o que sei é que é possível que não volte a morar nessa cidade, a não ser que ocorra algo novamente inesperado.


Já passei duas vezes pelo processo de me mudar, por um período de cerca de um ano, para outra cidade. Essa é a terceira e a diferença dela para as anteriores é que à medida que o tempo passa fico mais covarde.

Lembro que da primeira vez, há um pouco mais de dez anos, naquela fase em que se passa da adolescência pra uma fase mais adulta, me enchi de “amuletos”. Colei “omnia vincit” com adesivos no fichário e levei numa corrente um pingente de globo terrestre envolto com duas alianças – as alianças dos meus avós, meses depois do falecimento do meu avô materno. Com esse colar eu acreditava que de certa forma estaria protegida pelo meu avô e que o “mundo” (representado pelo pingente) estaria mais sob controle.

Na segunda mudança vim sem “amuletos”. Apenas com a certeza de que encararia um desafio muito rico.

Durante as férias passadas na minha cidade natal, achei a tal corrente com o globo e as alianças. Fiquei muito contente e trouxe para cá. Um dia – provavelmente nesses relatados no dia 27/2 – pensei em colocá-la pra ver se amenizava aquela sensação inexplicável.

Coloquei-a, mas não me senti à vontade. Porque não sou mais religiosa e por mais que ame meu avô não consigo acreditar que ele estará em outro plano me protegendo...

Tirei as alianças.

Recoloquei a corrente apenas com o pingente. Um minuto depois – ou menos – tirei.

O globo já não fazia sentido porque o “mundo” nunca estará sob controle. Porque o globo era muito pequeno pra representar a imensidão que ele representa pra mim hoje.


Acho que eu não sou mais uma pessoa de amuletos.


O que carrego em mãos agora é apenas o desajeito de quem tenta reter o presente.

O que preciso agora é aprender a me “quedar”.

 


 


 

 

Escrito por La Perdue às 07h11
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Tietagem: Paralamas até 1990!

Sempre achei que Os paralamas do sucesso, em especial o Herbert Vianna, foram pouco valorizados perto de outros compositores/vocalistas de rock nacional.

Agora essa paranoia do Lobão me motivou mais ainda pra fazer uma campanha (ridícula já que poucas pessoas entram nesse blog) de valorização das composições de Herbert, de seus amigos paralâmicos e aqueles que contribuíram pra discografia da banda.

Vou fazer comentários bem pessoais, sem nenhum tipo de conhecimento profundo sobre algumas música de cada álbum:


O primeiro:

Cinema Mudo (1983) - jovens bobinhos tentando descobrir sua identidade musical. Os ritmos tocados se encaixam mais no reggae, ska e alguns rocks. As letras são bem "temática adolescente", tão inofensivas que parecem ter saído de uma brincadeira de final de tarde.

Pega "Encruzilhada" pra ver. Letra mó idiotinha, mas de lá já da pra notar o potencial guitarrístico do Herbert.

A música que mais gostei foi a Shopstake, que por sinal é instrumental...

As mais famosas foram sem dúvida "Cinema mudo" e "Vital e sua moto".

Nesse álbum temos contribuição de uma música do Renato Russo (Química) e inspiração no estilo do Lobão - que hoje JURA que Herbert o plagiou... (Lobão, volta a cheirar pó, cara, pq seu cérebro já derreteu faz tempo.)

Tosca da vez: Difícil escolher, mas dessa vez fico com "Volúpia"... "Eu acho que sentei no formigueiro do amor", Herbert?!!!!

De qualquer forma foram essas músicas que deram sustentáculo pra banda mostrar futuramente seu trabalho mais amadurecido.


O passo do Lui (1984) - Os ritmos seguiram a tendência do primeiro disco (porém com mais metais), e percebe-se letras mais elaboradas. Uma tremenda diferente em apenas um ano! As músicas giram bastante em torno da temática romântica, mas, se formos julgar pela abordagem, o Herbert deve ter levado muito côco pra escrevê-las!

Mais famosas: Óculos, Ska, Meu erro, Romance ideal!

Minhas Preferidas: Ska - acho um puta tapa na cara de quem exagera nos "sofrimentos de amor" (tipo eu?)

“A vida não é filme você não entendeu. Ninguém foi ao seu quarto quando escureceu saber o que passava no seu coração, se o que você fazia era certo ou não. E a mocinha se perdeu olhando o sol se pôr – que final romântico morrer de amor. Relembrando da janela tudo que viveu, fingindo não ver os erros que cometeu”

Fui eu, Meu erro - embora acho agitada demais pra letra - e Assaltaram a gramática (muito espirituosa e poética).

Sinceramente nesse álbum não vi nenhuma música que eu considerasse realmente TOSCA de fato.

Destaco também a desconhecida “Menino e menina”

"Eles se julgavam diferentes como todos os amantes imaginam ser

E faziam tantos planos

Que seus vinte e poucos anos

Eram poucos pra tanto querer

Ah, se eles soubessem o que eles pensam saber..."


Terceiro: Selvagem? (1986)

A batida paralâmica permanece, mas letras têm conteúdo bem mais político e social!

O álbum tem Alagados, revelando o incômodo que as desigualdades sociais provocavam em Herbert Viana que observava sempre em seu caminho a favela da Maré. A banda inclusive chegou fazer um show lá cantando essa música. Maiores detalhes sobre essa história no filme “Herbert de perto”.

"Todo o dia o sol da manhã vem e lhes desafia, traz do sonho pro mundo quem já não queria, Palafitas, trapiches, farrapos, filhos da mesma agonia.

E a cidade que tem braços abertos no cartão postal, com os punhos fechados da vida real lhes nega oportunidade com sua face dura do mal.

Alagados, Trenchtown, Favela da maré. A esperança não vem do mar, vem das antenas de TV. A arte é de viver da fé, só não se sabe fé em quê!"


A novidade. Música de Gilberto Gil. Acho a letra tão foda que nem consigo separar um trecho. O contexto inteiro vale a pena.

Selvagem. Também uma música que não tem como fazer cortes de destaque. Sempre gostei muito dela. Depois que vi o show dos Paralamas no Paraguai cantando essa música em plena ditadura de Stroessner, gostei mais ainda!


“O Homem” conheci há pouco tempo e me surpreendi pra caramba! Ela deveria ter tido mais destaque...

“O homem traz em si a santidade e o pecado

Lutando no seu íntimo

Sem que nenhum dos dois prevaleça

O homem tolo se põe a lutar por um lado

Até perceber

Que golpeia e sente a dor

Ele é o alvo da própria violência

Só então vê

Que às vezes o covarde é o que não mata

Que às vezes é o infiel que não trai

Às vezes benfeitor é quem maltrata

Nenhuma doutrina mais me satisfaz

Nenhuma mais”


Essa música parece ser o gérmen de um sentimento constante que Herbert retratará em músicas futuras. Um certo peso niilista, de cansaço, inadequação, sei lá...

Mais famosas: Alagados e Melô do marinheiro (música descomprometida e divertida).

O que achei um tanto desnecessárias foram as versões “Dub” do Melô do marinheiro e Teerã, mas... anos 80, né...

 

D – 1987

Gravação ao vivo em Montreux , Suíça. Chique não?

Há apenas uma música nova: “Será que vai chover?” que achei um sarro na primeira vez que ouvi (“cachorro fazendo graça” é ótimo!).

Tem também uma regravação da música “Charles, anjo 45” do Jorge Ben Jor.

História da música aqui: http://qualdelas.blogspot.com/2010/02/charles-anjo-45.html 

A seleção das músicas deixa evidente a preocupação social da banda.


Bora bora (1988)

Álbum com músicas bem marcadas por ritmos latinos (que sou ignorante pra diferenciá-los), como a instrumental Bundalelê (que nome, hein?!).

Nesse período Herbert passava por uma fossa monumental com o término do casamento relâmpago com a Paula Toller (Kid Abelha), que rendeu a belíssima Quase um segundo – com as desafinadas mais encantadoras que ele gravou!

Confesso que esse CD tem as músicas que menos conheço dos Paralamas. Só fui ouvir Sanfona, Don't give me that (pra entender a música: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u55905.shtml  ), Fingido (música de fossa também) e quase todo o restante porque sentei pra ouvir Bora-bora senão elas seriam inéditas pra mim até hoje.

“Uns dias” é outra música que achei engraçada quando ouvi as primeiras vezes. Amor com pitada de lei de Murphy.

Agora “Dois elefantes” ainda tá meio surreal pra eu entender...

Mais famosas – O beco (única com crítica social), Uns dias e Quase um segundo.

O disco teve 20 mil cópias vendidas só na Europa! Possivelmente reflexo do álbum anterior.


Big Bang (1989)

Um dos álbuns mais famosos e que lançou o que o consideram o “hino dos Paralamas”: Lanterna dos Afogados. Sem dúvida, uma música belíssima com um solinho de guitarra super expressivo.  Mesmo sendo exaustivamente repetida não consegui enjoar dela.

Entre outras músicas, temos aquelas mais políticas como “Perplexo” que ilustra toda a frustração decorrida da crise dos anos 80. Cabe certinho no período: ele conta sobre a expectativa de mudança política, econômica, embora com uma boa pitada de descrença e ironia (“nesse país que alguém te disse que era nosso *risada*”, “eu vou lutar, eu vou lutar, eu sou Maguila não sou Tyson”).

Creio que “Dos restos” também tenha teor político embora forçando possa haver explicação pegando por um viés mais “romântico”, como a narrativa do final de um relacionamento.

Só sei que acabei acreditando que essa música acaba falando novamente das mudanças focando na nova ordem mundial 

“Mas é preciso coragem pra não desistir

E não achar que tudo que vivemos foi em vão 

Pra essa nova moral oportunista

Eu me viro e digo não!”


“Nebulosa do amor” é uma música romântica cantada com suavidade pelo Herbert Vianna e com um instrumental bem rico, algo meio bossa. Super bonitinha.

“Se você me quer” é bem pouco conhecida, mas muito legal e gruda na cabeça. É estranho porque geralmente são as músicas que falam de relacionamentos que mais fazem sucesso, mas essa ficou esquecida... Talvez por não ser melosa...

“Esqueça tudo o que te disseram sobre o amor” também é bem legal (apesar de ter teclado no início – acho chatinho), mas desmistifica visões usuais sobre relacionamentos, sem deixar de ser otimista:

“Esqueça o que te disseram

Sobre casa filhos e televisão

É preciso sangue frio pra ver 

Que o sangue é quente 

E que vai ser diferente”


Tenho curiosidade em saber a história sobre a música “Bang bang”... Possivelmente surgiu da mesma forma que Alagados – através da observação de Herbert sobre o que se passa nos morros cariocas.

Músicas mais famosas: Lanterna dos Afogados, Perplexo, Pólvora, Nebulosa do Amor.

Preferidas: Lanterna dos afogados, Se você quiser, Vulcão, Esqueçam o que te disseram sobre o amor, Nebulosa do amor, Lá em algum lugar (música dor de cotovelo que quer resgate de algo que existiu).


Arquivo (1990)

Coletânea com os maiores sucessos da banda tendo apenas uma inédita: Caleidoscópio, que é a música “romântica” dos Paralamas que mais gosto! Adoro tudo nela! A letra não é uma narrativa, é apenas a descrição de sensações que um relacionamento trouxe, e tem uma guitarra muuuuuuuuuito legal que cada vez Herbert aprimora – pena que é só um trechinho. Acho demais!

Uma das versões mais recentes:

 

Escrito por La Perdue às 02h47
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Alerta

Escrito por La Perdue às 17h19
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Síndrome de Dorothy

Novamente se aproxima a hora de partir.

Parece que quanto mais me reconheço fora de casa mais tenho vontade de voltar e ficar.

Aqui o mundo pára. Justamente isso que me afastava, agora me atrai.

Minha casa é um mundo paralelo. Ou melhor, mundos paralelos. O mundo da minha mãe, da minha irmã e meu. Os dois últimos se comunicam bem, mas o primeiro pouco.

Tem dias que sinto falta da ausência de pessoas ao meu redor. Alguns dias isso chega a ser perturbador. Apesar disso, aqui é o único lugar em que sinto que posso ser o que sou sem ser adjetivada.

Fora de casa sempre sou - de alguma forma – bizarrinha.

Quando alguém me acha muito normal, em algum momento percebo que ela tem uma visão distorcida sobre mim.

Um dia desses um amigo querendo me por pra cima listou o que ele considera minhas qualidades e finalizou dizendo que elas, na verdade, não são as mais procuradas - consideradas mais importantes - em uma pessoa.

Apesar de óbvio, foi bem frustrante ouvir isso.

Não pelo fato de ser vantojoso ter as qualidades “mais procuradas” e eu não tê-las, mas por viver em um universo utilitarista em que uma pessoa não curte a outra apenas por ela ser o que é, por ter sido construída de forma tão particular quando as possibilidades durante sua formação são tão variadas.

A maioria das pessoas não parecem curtir o que as outras são, mas sim o que elas podem oferecer a elas.

Em casa não tem disso. Sou o que sou e isso basta pra quem eu convivo. (Comodismo? Medo?)

No final das contas acabo acreditando que meu problema seja justamente exigir o afeto incondicional entre as pessoas. Talvez isso esteja acima do que o ser humano possa oferecer, ou apenas seja mais um elemento dentro do meu conjunto de psicoses.

Escrito por La Perdue às 07h03
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Virtualidades



Pode ser porque não sou, assim, “A amante da tecnologia”, mas acho esse tipo de virtualidade completamente deprimente. Por que vou ficar abanando meus braços no ar vendo alguma coisa repetindo numa tela quando posso fazer algo real?

 

Lutar boxe virtual, futebol virtual, amizade virtual...

 

Tudo ao alcance de teclas, botões e agora nem isso.

 

Nos poupamos do eventual soco na cara – que, acredite, pode nos ensinar muito - , o escorregão na grama molhada, a interação com outras tantas pessoas que você não teve oportunidade de conhecer ainda durante a pelada, o eventual mau humor do amigo que hoje parece completamente destoante com o clima do seu dia..

 

Ficamos apenas com o que nos acomoda: um simulacro da vida real em que a cor da flor na tela de LCD é bem mais viva do que a cor real. Vejo o adversário sendo golpeado sem ficar com registro físico da luta, sem nenhuma escoriação de um possível empurrão no campo, e sem a certeza de que quando precisarmos teremos alguém por nós, pois muitas são os convites para dispersão perante todas as possibilidades que a internet oferece.

 

De minha parte, não haverá investimento nesses primeiros jogos porque do último já tive o bastante nesses anos de virtualidade.

Escrito por La Perdue às 05h15
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Em 2010

 

Em 2010,


comecei o mestrado,

fui mais sociável do que em qualquer outro ano,

conheci pessoas lindas,

ganhei uma nova irmã,

me dediquei menos à família,

encontrei minha "terapeuta-metade", 

vivi mais fora de casa,

menos conversei com meu melhor amigo (por motivos técnicos),

tive que aprender a lidar com críticas públicas sem desmoronar ou aceitar tudo o que me diziam,

lidei com meu complexo de inferioridade acadêmica,

me senti mais "socióloga",

aprendi MUITO,

comecei a gostar de comer peixe,

me apaixonei pelo ambiente litorâneo,

duvidei de mim várias vezes,

acreditei em mim em algumas outras,

me senti feliz várias vezes simplesmente por "ser como sou e estar onde estou",

senti que tenho uma subjetividade muito bizarra,

conheci meu lado insano-carente - que ainda estou aprendendo a lidar,

me limpei do rancor que cultivei em relação ao ex,

senti com intensidade a sensação de impotência por não conseguir proteger quem amo das merdas do mundo,


Esse último fato eclipsou por alguns dias todas as coisas boas que vivi esse ano.

Hoje decidi rever cada foto, relembrar os bons momentos vividos e contemplados... E é com a alma plena de satisfação que digo que 2010, com seus altos e baixos, foi o ano que mais gostei de viver!

 

Escrito por La Perdue às 02h23
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Nenhum discurso feminista consegue expressar o sentimento que temos quando a violência acontece com pessoas próximas,

a angústia de não conseguir proteger quem a gente ama,

a náusea provocada pela sensação de que não se deve confiar em quem, em algum período da vida, foi alvo de nossos sonhos e desejos de acolhimento,

a incapacidade de cicatrizar feridas e a falta de palavras.

É com um abismo no peito que hoje constato isso.

 

Escrito por La Perdue às 10h41
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Sobre coisas que não sabemos definir

Se você passa grande parte da sua formação pensando que muitas coisas são "construções sociais", como perceber o que é realmente legítimo ou não?


O "amor romântico" é uma construção social. Certo. Como identificar o que sinto, então?


Lembro que mesmo no início do meu antigo namoro, eu ficava várias vezes com remorsos por dizer "te amo", pois não sabia se o que eu sentia tinha exatamente aquela dimensão, naqueles moldes pré-estabelecidos.


Vários anos se passaram e até hoje não sei quando o sentimento é de vaidade, posse, acomodação, fuga, apego a uma situação vivida ou amor.


(E é vergonhoso chegar a essa idade sem ter esse discernimento. Cadê o auto-conhecimento que imaginei um dia ter aos 27 anos de idade? Não adianta eu procurá-lo agora porque ele simplesmente não existe.)


O fato é que agora estou me questionando sobre isso em relação a uma pessoa específica.


Eu estou certa de que não temos muito a ver. Hobbies, estilo de vida, posicionamento político, tipo de raciocínio e forma de lidar com problemas... Nada disso nos traz um ponto em comum.


Apesar disso, há seis anos de amizade dos quais os dois últimos foram mais intensos, inclusive com um contato "extra-amizade". 


Por mais que me sinta no vácuo ou desestimulada em falar assuntos políticos ou sociais (porque isso simplesmente não é relevante para ele), ele é a pessoa que enfrentou "meu lado borderline" que melhor soube administrar as crises (é um teste de paciência gigante, pode acreditar!). De maneira geral, conseguimos refletir juntos, expor, elaborar e reelaborar angústias pessoais. Ou seja, ambos crescemos com nosso contato.


O problema é que além da distância física, inúmeras vezes sinto uma “distância subjetiva” enorme em determinadas situações...


Como o que temos se situa “entre a amizade e um namoro” (segundo suas próprias palavras), algumas coisas ficam meio confusas, como quando, por exemplo, fazemos referência a alguém do sexo oposto, ao passado com outra pessoa ou à expectativa de “encontrar alguém legal no futuro e ter uma vida tradicional”.


Tenho uma dificuldade gigante em me desapegar! Até pra ler livros eu prorrogo a leitura das últimas páginas para não me afastar dos personagens e do clima do enredo tão cedo! Com pessoas próximas, então...!!


E aí volta a dúvida: o que eu sinto? Vaidade por ter alguém que me considera relevante em sua vida? Posse por não me sentir bem quando imagino ele com outra pessoa, mesmo podendo ser feliz com ela? Acomodação, já que temos uma rotina e aproximações acolhedoras? Fuga, porque não há o cotidiano de um relacionamento “presencial”, mas mesmo assim não me sinto completamente sozinha? Apego às situações vividas? Amor? Como se quando penso nessa possibilidade a primeira coisa que me vem à cabeça é “não é possível! A gente não tem nada a ver um com o outro!”??


Me sinto ridiculamente adolescente tendo essa dúvida, mas não posso negar que ela exista.


Às vezes desejo que ele arranje logo outra pessoa pra eu parar com esses pensamentos. Sei que me reviraria de ciúme por dentro, mas seria temporário... Melhor que essa indefinição...


Enfim... Vamos ver o que o futuro me reserva...

 


 


“Meu lado borderline”


Acho que tenho traço (quer dizer, não tenho todos os “sintomas”) de transtorno de personalidade borderline (ou é só mania de entitular as coisas) quando uma relação minha ultrapassa a amizade.


Tenho a mania (que só percebo depois que faço) de "testar" a tolerância da pessoa comigo. Fico paranoica, falo coisas que magoam e forço situações de tensão pra ver se ela me "abandona". Se me abandonar penso: "sabia que eu não era importante o suficiente pra ele". Se a pessoa lida bem com a situação, percebo o quanto fui babaca e fico com remorsos a ponto de pensar que eu deveria me afastar da pessoa pra parar de causar tempestades!


Claro que há períodos de calmaria, mas quando menos espero, a qualquer situação boba, venho com atitudes ou pensamentos esquisitos do tipo. O pior é que só percebo depois!


Creio que seja medo da rejeição inesperada, por isso tento ter "controle" sobre qualquer possibilidade de rejeição, provocando-a deliberadamente. Agora pense a quantidade de paciência necessária para lidar com alguém assim! Um saco, não? Prazer, essa sou eu! Por isso evito ao máximo um contato amoroso... Entro em contato com minha parte mais desequilibrada... E quem gosta disso?

 

Escrito por La Perdue às 07h34
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Fechamento

Faz uma semana que enviei e-mail pra ele, depois de um ano e meio desde a última vez que lhe dirigi a palavra.
Apesar de todo esse tempo, isso não significou que parei de pensar nele, porém esses últimos 4 meses fizeram com que eu mudasse a forma como esses pensamentos se dão. Mudou principalmente a visão sobre mim em relação a tudo que aconteceu.
De uma “vítima coitadinha e injustiçada” a uma pessoa ignorante o suficiente pra não entender a intensidade da carência alheia. Uma pessoa amedrontada também que tentou sabotar um relacionamento diversas vezes...
Não, não estou aqui pra me auto-flagelar como fiz diversas vezes.
Não acho que fui a “malvada” na história porque naquelas condições eu não sabia como agir diferente. E nem ele.

O fato é que 2 anos e meio depois que nos vimos pessoalmente pela última vez eu finalmente me relacionei com outro cara.
Dois anos e meio depois.

Lembrei da psicóloga fajuta que ficou espantada e disse que era absurdo eu ter ficado 8 anos nesse chove e não molha, sugerindo que jogasse todas as cartas e presentes fora e quão doloroso isso foi.
Lembrei também da minha raiva por ele não ter aceitado antes que tínhamos projetos de vida diferentes e que deveríamos seguir cada um seu rumo. - Ok, se isso tivesse acontecido eu teria realmente aproveitado esse tempo com outra pessoa? Vendo os “dois anos e meio”, fora todos os outros em que à distância “combinávamos” não estar “comprometidos” um com outro, tenho certeza de que a resposta é não. E a raiva diminui, porque tomo consciência de que todo esse “tempo perdido” foi uma escolha minha.
Porque era cômodo. Preferia esperar pateticamente algo que eu mesma sabotava simplesmente por medo ou preguiça de enfrentar o novo. Me sentir querida e necessária é muito bom e com ele eu tinha isso, mesmo não tendo um relacionamento de fato.

Enfim.
O surgimento de outra pessoa - mesmo havendo uma relação pontual - foi inesperado e importante para eu entender certas coisas:

1ª: amigos, mesmo de longa data, não são assexuados.  Ok, isso é óbvio. Mas eu assexualizava todos justamente pra não ter toda uma bagunça ao redor da amizade;

2ª: pude entender muito das atitudes babacas dele. Porque um simples e descomprometido final de semana com outra pessoa me fez perceber o quanto eu sufocava a minha necessidade de compartilhar com mais intimidade a minha vida com alguém. Essa necessidade que sempre se manifestou de forma sutil, praticamente despercebida, veio tão potencializada que me transformou uma besta raivosa depois contra quem me fez perceber isso, pois “com que direito você vem e me tira da cegueira tão bem construída ao longo de todos esses anos?”. Sim, foi patético. A sorte – e o risco - é que a vítima era um amigo que realmente se importava. Sei disso porque ele teria uma facilidade imensa de simplesmente sumir da minha vida, já que ele mora há mais de mil km de distância (claro! Como poderia ser diferente?), mas mesmo assim continuou ao meu “lado” mesmo com minhas atitudes psicóticas.

Mas o fato é que pude compreender o quão angustiante, intensa e urgente pode ser essa sensação de falta.
Ele sempre tentou me explicar isso, mas pra mim isso não passava de chiliques controladores que eu assistia sem entender;

3ª: Em decorrência dessa causa acima, pude aprender por A + B que casualidade não funciona comigo e meus 27 anos de neura;

4ª: Tenho um lado possessivo, ciumento e sádico muito maior que pude imaginar, o que faz eu perceber o perigo que posso ser pra pessoa com quem quero me relacionar, e isso me faz muito mais receosa do que já sou para me envolver com alguém;

5ª: A sensação de que nada será mais ou até mesmo tão intenso quanto foi com a pessoa por quem você se apaixonou de fato. Mesmo com a própria pessoa, anos depois, completamente modificada pela vida que decidiu viver.

Pensando nisso tudo decidi enviar o e-mail. Três curtas linhas parabenizando-o pela família, falando que fico contente por ter realizado o que queria e que eu torcia para que estivesse tudo bem.

Um dia depois ele responde dizendo que ficava feliz por ter recebido meu e-mail (o último que enviei foi excomungando-o, e os que ele enviou depois desse foram completamente ignorados). Disse que gostaria que conversássemos mais.

Minha intuição pede para encerrar a conversa nesse e-mail. Penso que assim coroamos o que tivemos com um “final feliz” ou ao menos coerente com tudo o que nós vivemos, sem grandes mágoas.

Porque já ta na hora de parar de pensar numa pessoa específica,  no caso a mesma dos últimos onze anos, quando ouço uma música dor-de-cotovelo.


 

Entre 5'25'' e 8'15'': identificação


Escrito por La Perdue às 12h00
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Labirinto

Nunca haverá uma porta. Estás cá dentro
E a fortaleza abarca o universo
E não possui anverso nem reverso
Nem externo muro nem secreto centro.
Não esperes que o rigor do teu caminho
Que obstinado se se bifurca noutro,
E obstinado se bifurca noutro,
Tenha fim. É de ferro o teu destino
Como o juiz. Não esperes a investida
Do touro que é um homem, cuja estranha
Forma plural dá horror à maranha
De interminável pedra entretecida.
Não existe evasão. Nada te espera.
Nem no negro crepúsculo a fera.

Jorge Luís Borges

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