https://www.youtube.com/watch?v=aufjjU0EYxk

 

Pensei que conseguiria mudar alguns padrões de comportamento, mas não foi dessa vez. Algumas coisas não dependem da gente. Quando dependem nem sempre saímos do nosso próprio labirinto.

Escrito por La Perdue às 01h00
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É engraçado reler os posts passados.

Parece ser tudo preparado para o presente.

Irônico pensar que no momento em que menos me sei é justamente aquele que mais faz sentido na minha existência.

E aí vem a desconfiança: tanta coerência só pode ser uma pegadinha!

De reviravoltas em reviravoltas em nível micro se delineia uma narrativa linear.

Só posso estar inventando!


O fato é que vez ou outra meu coração pulsa de pura gratidão!

Olho para os lados e só vejo pessoas queridas que me ensinaram que mereço ser amada por ser que eu sou e então posso me ser! No ridículo, na alegria, no drama, na seriedade, na acolhida, no acolher, na fragilidade e na força. De várias formas. Sendo.

Tenho muita sorte.

Ou talvez não seja uma pessoa tão ruim pois do contrário não haveria tantas pessoas incríveis perto de mim.

Arejada de gratidão, levanto acampamento e vou para outras paragens.


Acredito que vai ser bom também.


Como disse, tenho muita sorte com as pessoas que encontro em meu caminho.

Esse é meu lado sob luzes.


Há o lado sombra, mas essa parte deixo para outro momento.

Escrito por La Perdue às 01h39
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Me faz falta escrever.

Já tentei tantas vezes esse ano.

Algumas vezes de forma mais abstrata, como visto nos posts abaixo.

Talvez uma maneira de deixar algo menos pessoal ou mais útil (?).

 

Só sei que apesar das potencialidades de 2014, depois de quase dois anos de desconstrução, 3 anos de tentar entender-me no mundo, nada de novo se realizou.

E é muito frustrante. Me sinto paralisada.

As minhas recentes descobertas em vez de me fortalecer, me engessaram.

A angústia que pensei ser compartilhada, é vivida de forma solitária e cotidiana.

Ser um bicho gregário é uma grande desvantagem, porque pouco avanço só e ser só é minha especialidade.

 

A lenda da classe média de que o esforço bastaria para chegar onde eu quisesse não se realizou.

Não sinto nenhum esforço recompensado e agora, depois de tantas tentativas, nem sei por qual caminho ir.

 

 

Escrito por La Perdue às 01h31
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Tenho 31 anos e a sensação de que de algo deve ter valido tudo o que passei.

Me sinto em gestação de um projeto inacabado. Eu.

O útero-vida me expulsa para a nova condição.

Estou coroada por um potencial do que não sei o que é.

Não sei em qual mundo vou pousar.

Sigo esperando o destino final.

Escrito por La Perdue às 00h55
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Tenho medo de ter certezas

Tenho medo da vaidade que ensurdece

O mesmo medo que me envaidece

pelas rotas traçadas por muitos chamados


Chamados de dentro

Chamados de fora

Chama de antes

Chama de agora

Chama que queima

Chama que teima em não se apagar

 

 

 

Escrito por La Perdue às 01h18
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Santo Sabino!
Me segure que chego aos 40!
Não deixe que venha o destino
e me traja de galochas e mangueira


Se aos vinte andei de álcool e fósforo na mão
É porque assim se fez efeito
Só que de reformas surgiu algum satisfeito
E hoje não se fala mais em revolução


E é por isso que já aos trinta
Procuro alguma



Que os hidrantes se tornem maçaricos  

Escrito por La Perdue às 02h06
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Resumo dos dias

"Cansado de correr na direção contrária, sem pódio de chegada ou beijo de namorada".

Escrito por La Perdue às 05h14
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Não é a utopia que me impulsiona

É o cansaço de sentir a dor ininterrupta

Latente, mas irrompendo insistentemente

O vazio que exige preenchimento

É a falta de resposta gritando por um sim


A esperança desencobre a lacuna sangrenta

E é trágico

E é mágico o quanto isso pode mover

Escrito por La Perdue às 00h08
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O excesso de vida não foi filtrado: empedrou.

Obstruiu-se com a seiva que sustenta o dia após os dias.

 

O que era nítido tornou-se barroco. O erro.


Soterrados os desejos, recomeça-se.

Apalpam-se os caminhos, palpitam-se os medos.

 

Segredos.

 

Daqueles que ninguém quer descobrir.

Escrito por La Perdue às 02h21
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Mais um ciclo que termina

 

E novamente aquela angústia de não saber do que será, mesmo prevendo que muitas coisas continuarão iguais – e sem saber exatamente se isso é bom.

E aqui aquela frustração de ter interrompido um processo que me tornaria outra pessoa. Não necessariamente melhor ou pior, mas que alguém que se sabe.

A vergonha de ser quem começa a ter medo de mudanças mesmo considerando-as necessárias e em muitos níveis ansiando por elas.

Sentindo tudo isso, chego em casa e me deparo com as fotos de minha formatura e lembro do refrão que escolhi na colação: “And I still haven't found what I looking for” e chego à conclusão de que, realmente, muitas coisas mudam e permanecem iguais.

 

Escrito por La Perdue às 23h49
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Mais um ano...

 

Mais um ano se foi e volto aqui pra fazer um balanço ou algo que o valha.

Das minhas promessas para 2012 nenhuma foi cumprida.

O mundo não acabou, mas boa parte das minhas ilusões ou expectativas morreram.

Coisas que eu acreditava com sinceridade hoje estão em busca de uma substituição. Possibilidades que eu achei que me engrandeceriam só me mostraram um pouco do que não quero mais pra mim, mas restringiram a possibilidade de encontrar o que quero, mesmo não sabendo exatamente o que é.

Na virada para 2013 nenhuma promessa, apenas um suspiro para que eu me dedique às obrigações que me sobraram.

Meus poucos amigos e meus gatos, a um bom custo, me mantiveram em pé no ano que se passou.

Agora tenho só a sensação de que nada há a ser alcançado, apenas terminado.

Depois, bem, depois vejo o que faço.

 

Escrito por La Perdue às 04h58
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Exagera ou exclui?

Nesse exato momento tenho a sensação de que me preparei grande parte da minha vida pra me aproximar do 100%.

Para ser uma pessoa 100% ética e dedicada ao trabalho. Me esforçaria pra ser 100% competente.

Num relacionamento amoroso me preparei para ser receptiva, fiel e honesta - não por valores externos a mim, mas por necessidade de criar uma rede de proteção, em que eu também fosse protegida, em meio a tanta merda nesse mundo.

E hoje percebo que a exigência dessas qualidades - ou o esforço de chegar a elas - foi completamente superestimado.

Sempre me pedem menos do que isso. Tanto trabalho mental ao longo dos anos para oferecer 25%, quem sabe... Simplesmente porque não querem. Porque esse pouco já é o suficiente.

E no final das contas nem na amizade posso aplicar esse esforço, pois no meio de tanta frustração mais recebo do que dou.

Nessas horas lembro da poesia de Ricardo Reis:

 

"Para ser grande, sê inteiro: nada 

          Teu exagera ou exclui. 


Sê todo em cada coisa. Põe quanto és 

          No mínimo que fazes. 


Assim em cada lago a lua toda 

          Brilha, porque alta vive".


O que faço agora? Excluo?

Escrito por La Perdue às 06h08
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O retorno em frangalhos

Aqui estou eu novamente, quase seis meses depois.

 

Nesse meio tempo tive algumas semanas em que acreditei estar satisfeita com a vida.

 

O problema é que não durou muito tempo.

 

E obviamente nessas horas que recorro ao velho blog abandonado.

 

Acontece que muitas coisas sairam dos eixos.

 

O trabalho, o mestrado, a vida pessoal... Talvez agora a única que se sustente seja a familiar - o que já é um bom começo, porque houve período que nem isso!

 

Estou duvidando de muitas convicções que tinha. Deve ser o tal retorno de Saturno ou simplesmente o fato de que minha percepção sobre a vida até então estava longe demais da realidade.

 

Tive possibilidade de ver mais perto a prática política de uma geração que lutou contra a opressão tanto política quanto de gênero. O resultado não poderia ter sido pior.

 

Nisso tudo, meu ânimo em pesquisar sobre meu tema do tão sonhado mestrado foi por água a baixo. Tudo se misturou. E esse tudo está sendo fortemente questionado por mim hoje.

 

Parece que muitas coisas em que eu acreditava não passava de histórias da carochinha.

 

Agora tenho que reconstruir muitas coisas na minha cabeça. 

 

Nesse meio tempo, vivi uma pseudo-relação com o abaixo do mínimo de companheirismo que passou a não me fazer bem.

 

Sabe, às vezes você pede o mínimo para uma convivência que te adicione algo e que, ao mesmo tempo, não seja invasiva ou intolerante com o outro, e isso ainda parece pedir demais!

 

E eu não sei se isso é reflexo de um tempo de "amor líquido" ou a minha incapacidade de gerar empatia se manifestando novamente.

 

Só sei que tudo é muito frustrante.

 

Estou cansada. Estou querendo mudar de rumo, mas nem sei por onde começar. Não tenho plano B! Não sei o que faço e nem tenho ânimo pra colocar em frente qualquer outra alternativa.

Talvez seja hora de procurar ajuda profissional.

Escrito por La Perdue às 00h32
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Desafios para incorporar a noção de impermanência

Então você começa algo tendo consciência de que ele tem fim. Porque tudo tem.

Porque a gente não se conforma com a impermanência, mesmo ela sendo algo certo.

Semana passada me fiz dois desafios para aprender a lidar com isso: me aproximar do zen budismo e começar algo (um relacionamento?) que tem como premissa o término.


Não sei se vou conseguir lidar com isso, mas preciso aprender. Não sei se a segunda opção foi uma forma inteligente de tentar. De qualquer forma, preciso me policiar.


O problema é que quando temos essa consciência e andamos de braços dados com ela, todas as boas sensações e situações já chegam com uma carga de saudade. Isso porque não houve uma aceitação verdadeira de que tudo é finito.

Todo esse processo é muito difícil, mas registro aqui a minha disposição para tentar.

Escrito por La Perdue às 23h25
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Feeling good

Porque chega uma hora em que a gente pára de reclamar.

Pára e percebe que as coisas estão fluindo através dos meios que algum dia escolhi.

A gente pára de contabilizar os "tesouros" perdidos e só tem vontade de sempre agradecer - naquele estilo bêbado carente - as pessoas que você teve a sorte de conhecer e que permaneceram ao seu lado.

"Nadie nos prometió un jardín de rosas". Ao menos tempo, as coisas não estão dramaticamente ruins como pinto.

A vida é feita de concessões, portanto não dá pra ficar com a cara amarrada sempre ou em eterno regozijo...

De qualquer forma, hoje me sinto bem.

Estou aprendendo. Estou em um caminho. E a noção de estar em um processo - e não em seu resultado - já é suficiente.

 


Escrito por La Perdue às 00h07
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Labirinto

Nunca haverá uma porta. Estás cá dentro
E a fortaleza abarca o universo
E não possui anverso nem reverso
Nem externo muro nem secreto centro.
Não esperes que o rigor do teu caminho
Que obstinado se se bifurca noutro,
E obstinado se bifurca noutro,
Tenha fim. É de ferro o teu destino
Como o juiz. Não esperes a investida
Do touro que é um homem, cuja estranha
Forma plural dá horror à maranha
De interminável pedra entretecida.
Não existe evasão. Nada te espera.
Nem no negro crepúsculo a fera.

Jorge Luís Borges

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